quarta-feira, 22 de julho de 2009

Soltando pipa

Você entediado da vida simples e eu por aqui entediada da vida urbana. Dava tudo pra sair de casa e enxergar menos carro e mais bicicleta. Dava tudo pra atravessar a rua e soltar uma pipa com o João sem me preocupar com fios de eletricidade. Eu queria mostrar pro João que o sabiá não existe só na música e que a coruja não mora só na casa da Vovó. Eu sei que deve ser difícil pra você estar aí, longe de mim e do João, no meio de tudo o que eu queria por ora. Mas pense no quão leve e desaceralado você pode se tornar pro seu filho e pra mim ao escutar todo dia passarinhos livres cantando, ao sentir cheiro de mato de verdade, ao perceber que o tempo pode correr devagar. Uma vida em meio ao silêncio, ao tempo lento, é uma vida onde há janela para o detalhe. Que genuína sutileza! Esse, Fá, é o seu grande tesouro. Eu sempre te disse. É o que te faz muito maior, mais humano, mais gente. Seu filho vai ter sempre muito orgulho de ter ao longo da vida se acostumado com poucos dias ao lado de quem mais do que ninguém entende do tempo, entende de silêncio, entende da vida.
De quem te ama e sofre, mas tenta compreender a distância.