segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
A casa do meu avô Foi-se a casa do meu avô Adérito. Ruiu com a morte dele, porque a vida vai caminhando assim mesmo, vai passando, e entre nós fica só o registro do que ficou na memória. Na minha memória de criança ficou uma casa grande, num bairro com sensação de interior. Lá eu percorria alguns cantos que considerava meus. Gostava de um tal bar que ficava num enorme salão. Chamavam-me atenção os espelhos dele e os tons misturados. Combinava pra mim demais com os sofás grandes apoiados sobre pés de madeiras delicados. E achava aquilo tudo tão chique, que pensei muitas vezes que queria aquela sala pra mim. Mas a melhor parte era passar pela cozinha, sentir o cheiro do feijão da Dercília e descer a escada que dava para o quintal. Eu achava forte me deparar com a mangueira que ficava bem ali no centro. Ela era enorme e dava uma sombra engraçada. Eu gostava de andar por ali e ficava intrigada como uma mangueira podia estar cercada por concretos. As raízes dela quebravam o cimento do chão. Era confuso! Um tanto de cinza no meio do verde. E a vida me ensinou que é assim mesmo, tudo meio verde, meio cinza. Adorava andar sozinha por aquela parte meio cinza e meio verde da casa. Ficava curiosa demais com dois quartos que ficavam por ali, um da Dercília, empregada da casa e outro do meu tio Zé Carlos. O quarto do meu Tio foi do meu pai também, antes dele casar com minha mãe. O quarto da Dercília chegava a ser quase caricato. Bem arrumado, pra não dizer impecável, com posters de revistas. Não me lembro quem eram os cantores, mas algo assim no estilo “Gilliard”. E havia uma mesinha com maquiagens de tons fortes, com batons carmins. E eu confesso que sentia vontade de lambuzar a boca com aqueles batons. Dercília tinha ares de mulher entregue ao amor pungente. E no quarto do meu Tio... Ha, eu adorava aquilo lá. Era espaçoso e com um monte de livros e discos. Eu sonhava pra mim um lugar assim quando crescesse. E não é que cresci e hoje gosto de casa com música e livros... Era gostoso também me pendurar nos portões da frente da casa, porque eram bem baixos. Via fotos do meu pai por ali quando criança e adolescente e me punha a imaginar o tanto que a vida dele correu por entre aquele lugar. Meu consolo pra essa casa que só existe na minha memória é que eu vou ter uma casa com uma mangueira também. E eu espero que ela venha a existir na memória de alguém que como eu gosta de guardar pedaçinhos do passado.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Dói
Me dói profundamente perder a paciência. Devia me lembrar sempre que antes de ser Mariana, sou agora mãe. Devia me lembrar sempre que antes de querer colo, devia dar colo ao meu filho. Devia me lembrar sempre que as opções foram todas minhas e não do meu filho. Devia me lembrar sempre de tantas coisas que não me lembro. Que não me lembro. Que não me lembro. E dói mais porque as vezes não quero lembrar. E mais ainda porque tem gente que se lembra.
sábado, 24 de outubro de 2009
Retrato de uma simples tarde
Era uma sala muito engraçada. Ali havia um moço de algemas nos braços, que não se tinha certeza, mas uma impressão de que tinha feito algo ruim. Estavam na tal sala mais algumas outras pessoas. Sentavam-se umas três de forma desalinhada, uma num lugar mais alto que outra. A que ficava no lugar mais alto era um homem de capa preta. Ao lado direito dele havia um rapaz com uma máquina na frente, máquina essa que tilintava a cada toque das mãos. E do lado esquerdo, via-se uma moça que não parava de mexer numa pilha de papéis embrulhados num papel alaranjado. Perto do moço algemado, que estava sentado numa cadeira, estava um outro homem, que tinha uns papéis e anotava. Alguns estranhos andavam de um lado a outro dentro da sala, com armas nas mãos, a olhar para todas aquelas pessoas que pareciam tratar do moço algemado com tanta banalidade, que pareciam nem percebê-lo. Foi quando o tal homem de capa preta, deixou com que uma fileirinha de pequenos meninos e meninas entrassem pra beijar o moço com algemas. E aí a moça que só mexia nos tais papéis de capa alaranjada, como que saindo de seu mundo, olhou para aquelas crianças e chorou. Todos olharam pra moça e ela envergonhada de ter se misturado com o moço com algemas e com seus filhos, deixou a sala. Chorou mais um pouco em outra sala. Chorou muito na sala de uma moça bacana. A moça bacana e a moça dos papéis envoltos no papel alaranjado conversam quase todo dia. Elas conversam sobre um monte de gente que não conhecem. Não fazem fofoca não! Elas tentam se misturar a quem não conhecem. E não é pra fazer amizade não. Elas querem ajudar. Não sabem se ajudam. Depois sequer tem notícia se ajudaram. Mas ao menos aos se misturarem, acreditam ajudar. É por isso que as vezes choram.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Mais uma partida
Hoje, foi uma partida diferente de todas outras tantas na nossa vida. Você já com um ano e oito meses, comunicando-se muito bem e entendendo quase tudo, deixou transparecer sua tristeza quando seu pai entrou na sala de embarque. Chorou com sentimento e chamou pelo seu pai. Eu não consegui controlar minha emoção e chorei. Percebi que algumas lágrimas também chegaram até sua Vó Vânia e seu Vô Leão. Fomos andando, assim, entre lágrimas e tristezas, eu, você, sua Vô Vânia e seu Vô Leão, todos unidos por um tal amor, que é mesmo engraçado e que não tem como, é daqueles construídos ao longo dos tempos, de um berço a outro. E foi assim que sua história começou, no berçinho do seu pai, colocado numa casinha de vigas sólidas com tapetes quentinhos. Uma casa de um forte alicerce chamado Vânia, decorada com quadrinhos e bibelôs chamados também Vânia, a mostrar que ali se construiu uma história de dedicação e amor. Nessa casinha, filho, havia tapetes chamados Washington, delicados e sensíveis que deixavam a casa ainda mais aconchegante. E assim cresceu seu pai, num lugar onde se viu força, detalhe, delicadeza e sensibilidade. E por isso ele te colocou num berço e conseguiu construir com a mamãe uma casinha com paredes também cheias de força, onde de novo se viu detalhe, delicadeza e sensibilidade. Assim, nosso dia termina com mais uma partida e nossa noite começa numa casa onde há muito amor.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Soltando pipa
Você entediado da vida simples e eu por aqui entediada da vida urbana. Dava tudo pra sair de casa e enxergar menos carro e mais bicicleta. Dava tudo pra atravessar a rua e soltar uma pipa com o João sem me preocupar com fios de eletricidade. Eu queria mostrar pro João que o sabiá não existe só na música e que a coruja não mora só na casa da Vovó. Eu sei que deve ser difícil pra você estar aí, longe de mim e do João, no meio de tudo o que eu queria por ora. Mas pense no quão leve e desaceralado você pode se tornar pro seu filho e pra mim ao escutar todo dia passarinhos livres cantando, ao sentir cheiro de mato de verdade, ao perceber que o tempo pode correr devagar. Uma vida em meio ao silêncio, ao tempo lento, é uma vida onde há janela para o detalhe. Que genuína sutileza! Esse, Fá, é o seu grande tesouro. Eu sempre te disse. É o que te faz muito maior, mais humano, mais gente. Seu filho vai ter sempre muito orgulho de ter ao longo da vida se acostumado com poucos dias ao lado de quem mais do que ninguém entende do tempo, entende de silêncio, entende da vida.
De quem te ama e sofre, mas tenta compreender a distância.
De quem te ama e sofre, mas tenta compreender a distância.
domingo, 31 de maio de 2009
Em silêncio, em palavras.
João,
mamãe anda inundada de emoções pelos nascimentos de Flora, Isadora e Felipe. Daqui a pouco mais lágrimas com a vinda do Rafa. Nos contornos de cada um desses pequenos, repousa minha melancolia pelos seus passados meses. Em meio a lembranças, remexo fotos e cartas. O sobressalto vem com palavras silenciosas de Tia Bia, tão amada, que me acorda com a força antiga que é você, filho. Há mais de ano você nasceu. Entre nós, meses de sons sem palavras, enfileirados por sorrisos, grunhidos, choros e música. Música que hoje você não mais reconhece como minha, mas sua, num sinal de que somos antigos, eu e você, parceiros que se estranham e que se amam. Em você, hoje, ao redor de pequenas palavras, noto a diferença, como se fossemos feitos um de poesia e outro de prosa. Rezo para que em nosso caminho, de trilhas que serão encontradas e desencontradas, haja muita compreensão.
Pra você, um pouco da Carta que a Tia Bia nos escreveu logo que você nasceu, com uma citação de um velho amigo meu e dela, que quem sabe possa ser seu também, Hélio Pellegrino.
"Não estou comunicando a você o nascimento de minha filha. Que entre nós, sábios de amizade, se dispensam cerimoniais humanos e se cedam ao signo e ao símbolo da própria vida, que é calada. Para você, como minha filha é antiga! Como você a conheceu, sempre, em mim, na força de minhas contradições que buscam expressão, na poesia de meus poemas, na minha crença em Jesus Cristo, na minha amizade, na minha tristeza, na minha vida! Ela era esperada, ela existia no meu Amor, nesse mesmo Amor que nos levantará a poesia dos tempos e nos suscitará a Unidade presente. O nascimento de uma filha é como o nascimento de um poema. E a poesia existiu anterior a nós mesmos, pairou sobre as águas, no princípio do mundo. Eis que conto para você uma velha história: nasceu minha filha. Ela se chama Maria Clara. Ela por um momento teve o mundo nas mãos, e os campos e os seres da terra se alimentaram da sua inocência. O pai, por um instante, vive seu coração nu, no berço, despido de tudo quanto é acessório, pequenino, fragílissimo, ainda perfumado, sonolento e saudoso das searas eternas. (...)" (Carta de Hélio Pellegrino a seu amigo Otto Lara Rezende, publicada no livro Lucidez Embriagada, p. 34)
"E eu fico meio muda de palavras, só me vindo à cabeça esta carta do nosso amado H. Pellegrino a Otto Lara Rezende. Podia tê-la escrito (no sentido da veracidade do sentimentos, não no do talento), especialmente a parte ... COMO O JOÃO É ANTIGO PRA MIM! Por isso, acho, tô tão estupefata de emoção - coisas de reencontros...
Te amo, Mari.
Sou sua companheira em botar pra frente essa vidinha que te caiu no colo.
Bia"
mamãe anda inundada de emoções pelos nascimentos de Flora, Isadora e Felipe. Daqui a pouco mais lágrimas com a vinda do Rafa. Nos contornos de cada um desses pequenos, repousa minha melancolia pelos seus passados meses. Em meio a lembranças, remexo fotos e cartas. O sobressalto vem com palavras silenciosas de Tia Bia, tão amada, que me acorda com a força antiga que é você, filho. Há mais de ano você nasceu. Entre nós, meses de sons sem palavras, enfileirados por sorrisos, grunhidos, choros e música. Música que hoje você não mais reconhece como minha, mas sua, num sinal de que somos antigos, eu e você, parceiros que se estranham e que se amam. Em você, hoje, ao redor de pequenas palavras, noto a diferença, como se fossemos feitos um de poesia e outro de prosa. Rezo para que em nosso caminho, de trilhas que serão encontradas e desencontradas, haja muita compreensão.
Pra você, um pouco da Carta que a Tia Bia nos escreveu logo que você nasceu, com uma citação de um velho amigo meu e dela, que quem sabe possa ser seu também, Hélio Pellegrino.
"Não estou comunicando a você o nascimento de minha filha. Que entre nós, sábios de amizade, se dispensam cerimoniais humanos e se cedam ao signo e ao símbolo da própria vida, que é calada. Para você, como minha filha é antiga! Como você a conheceu, sempre, em mim, na força de minhas contradições que buscam expressão, na poesia de meus poemas, na minha crença em Jesus Cristo, na minha amizade, na minha tristeza, na minha vida! Ela era esperada, ela existia no meu Amor, nesse mesmo Amor que nos levantará a poesia dos tempos e nos suscitará a Unidade presente. O nascimento de uma filha é como o nascimento de um poema. E a poesia existiu anterior a nós mesmos, pairou sobre as águas, no princípio do mundo. Eis que conto para você uma velha história: nasceu minha filha. Ela se chama Maria Clara. Ela por um momento teve o mundo nas mãos, e os campos e os seres da terra se alimentaram da sua inocência. O pai, por um instante, vive seu coração nu, no berço, despido de tudo quanto é acessório, pequenino, fragílissimo, ainda perfumado, sonolento e saudoso das searas eternas. (...)" (Carta de Hélio Pellegrino a seu amigo Otto Lara Rezende, publicada no livro Lucidez Embriagada, p. 34)
"E eu fico meio muda de palavras, só me vindo à cabeça esta carta do nosso amado H. Pellegrino a Otto Lara Rezende. Podia tê-la escrito (no sentido da veracidade do sentimentos, não no do talento), especialmente a parte ... COMO O JOÃO É ANTIGO PRA MIM! Por isso, acho, tô tão estupefata de emoção - coisas de reencontros...
Te amo, Mari.
Sou sua companheira em botar pra frente essa vidinha que te caiu no colo.
Bia"
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Pra quem vem chegando
Pra você, Felipe, que chega nesse mundo eu desejo um pouquinho de leveza, um toque de vagareza e uma porção de miudeza. Pra que mamãe te sinta quentinho e não se esqueça que seu mundinho corre-corre a luz de um tempo, ligeirinho-ligeirinho.
Pra que papai te pegue no colinho, mais que um montinho, porque bem rapidinho você vira um menininho.
Com amor,
Tia Mari
Pra que papai te pegue no colinho, mais que um montinho, porque bem rapidinho você vira um menininho.
Com amor,
Tia Mari
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Quando o João era bem pequeno e acordava regularmente a noite pra mamar, eu sempre me compadecia com os choros de bebês que escutava na madrugada. Sempre rezava e pedia que a mãe tivesse calma nessas adiantadas horas da noite, onde há uma mistura estranha de cansaço, desânimo e muito amor. Meu filho ainda não dorme toda a noite apesar dos seus quase 16 meses de vida e essa última noite dormiu menos do que todas as outras. Não tomem o relato ao pé da letra, porque talvez toda última noite mal dormida seja sempre a pior. Mas fato é que ele chorou muito, muito mesmo. O dia também não foi bom e lá pelas sete da noite recebo uma ligação do interfone, de uma vizinha, mãe do Lucas, de seis meses. Ela perguntou: posso dar um pulinho aí, pra dar algo para o João? Eu disse: sem problemas. E ela aparece com um CD, embrulhadinho num papel de bolinhas coloridas. Disse que ouviu o João chorando muito a noite e ficou preocupada com ele. Eu disse que o João estava com uma virose dolorosa, que o deixou com feridinhas na boca. Perguntei do Lucas e ela me falou que ela já estava há três noites sem dormir por conta de uma gripe forte, que não o deixava respirar direito. Nos despedimos e pronto. Fiquei a observar aquela menina entrar no elevador, de olhar cansado, mas terno. Quando fui ouvir o CD, com o João no colo, o que veio ao ouvido foram cantigas de ninar. O som era calmo e deixou o João sereno, como há algumas horas eu já não o via. Eu chorei e ainda choro agora escrevendo esse email, muito agradecida pela generosidade dessa mãe, que no amor ao seu filho foi solidária com uma vizinha que mal conhece. Talvez seja essa uma das maiores virtudes da maternidade: o amor genereso.
"eu também choro mari, por entender, mesmo que desde apenas a bolha da minha experiência pessoal, cada palavrinha que vai nesse seu relato. que bom que essa mãe conseguiu sair só da intenção - a gente na maioria das vezes fica só na intenção (de agradecer, de ajudar, de elogiar, de dizer - o que, acho, deixa um baita de uma energia paralisada e que, se bobear, vai explodir depois em coisas ruins). há tempos estou pra pedir pro síndico aqui do meu bloco autorização pra colocar um bilhete no quadro de avisos da outra portaria só pra agradecer a pessoa desconhecida que toca piano todos os dias por volta das 11 horas da manhã. inúmeras vezes eu estou com a manú no quarto, rezando pra ela conseguir dormir antes de ir pra escola e vem esse som maravilhoso lá de fora, me acalmando, acalmando ela. depois te ligo pra saber do nosso super john. quero cópia desse CD." Bia
"eu também choro mari, por entender, mesmo que desde apenas a bolha da minha experiência pessoal, cada palavrinha que vai nesse seu relato. que bom que essa mãe conseguiu sair só da intenção - a gente na maioria das vezes fica só na intenção (de agradecer, de ajudar, de elogiar, de dizer - o que, acho, deixa um baita de uma energia paralisada e que, se bobear, vai explodir depois em coisas ruins). há tempos estou pra pedir pro síndico aqui do meu bloco autorização pra colocar um bilhete no quadro de avisos da outra portaria só pra agradecer a pessoa desconhecida que toca piano todos os dias por volta das 11 horas da manhã. inúmeras vezes eu estou com a manú no quarto, rezando pra ela conseguir dormir antes de ir pra escola e vem esse som maravilhoso lá de fora, me acalmando, acalmando ela. depois te ligo pra saber do nosso super john. quero cópia desse CD." Bia
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Detalhe
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Londe e perto do coração sem fim
Por que a vida tem que ser assim, com você sempre partindo, indo e vindo, calado e falante, triste e feliz, longe e perto, na estrada e em casa. Por que assim andar, entre cá e lá. Respostas que não sei.
Deixa, então, estar como está. E você há de voltar, pra se entregar, calado e falante, triste e feliz, na estrada da vida, perto do coração sem fim.
E assim te amamos eu e João, com ponto de chegada. E assim seguimos, eu e João, sentindo muitas saudades, com ponto de saída.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Eu e Fábio, há exatos um ano e dois meses, conhecemos um mundo que havia se perdido pra nós há tempos. Hoje, andamos às voltas com formigas que andam no asfalto, com libélulas mortas que nadam na piscininha de plástico. A quase todo anoitecer procuramos a lua. Inventamos estórias com cavalinhos e cachorrinhos. E nos últimos dias voltamos a brincar de esconde-esconde, agora num local inusitado, entre roupas estendidas no varal móvel daqui de casa. É o mundo do João, mundo inventivo, de sonhos, brilhante, cheio de sorrisos e gargalhadas. Mundo do qual nos perdemos por um certo tempo. Acho que talvez os artistas tenham uma certa conexão com esse mundo, porque não existe nada mais criativo do que a infância. Lembro-me bem de uma instalação que vi há uns anos atrás num museu. Ali vi um varal, com vários objetos pregados, tudo em movimento. Achei aquilo ali tão divertido, tão pueril. Coisa de artista, coisa de criança! Não imaginaria que em alguns anos, na minha própria casa estariam eu e meus amores a fantasiar com um varal, mexendo aqui e acolá, pra gente se esconder, pra gente se achar, pra gente se amar.
ps: como não falar disso ao ler o texto "De como eu me perdi da minha infância" do blog www.parafrancisco.blogspot.com
ps: como não falar disso ao ler o texto "De como eu me perdi da minha infância" do blog www.parafrancisco.blogspot.com
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
Sabe filhote, você vai aprender que têm dias que não é qualquer comida que irá te cair bem. Sua barriguinha vai reagir mal. E têm dias que um comentário não irá te cair bem. Talvez, você reaja mal. E vem agora a sua perguntinha. O que eu devo fazer? Pra ser sincero, filhinho, colocar pra fora, o que ficou engasgado: a comidinha e a palavrinha que não desceram. Talvez, quem esteja do outro lado não goste não. Aliás, é o mais certo de acontecer. Mas diz um velho ditado, que quem fala o que quer, escuta o que não quer.
Mamãe, está aprendendo. Vivia com palavras na garganta, que não dizia pra não desagradar. Que bobeira, né! A gente não precisa agradar sempre. Ando aprendendo isso com você, que desde pequenininho já mostra que não quer ser sempre "bonzinho". Tem horas que quer mesmo é me contrariar e nem liga pra isso. E é isso, filho. Têm horas que não tem que ligar mesmo pro outro. O melhor é ser você, o João, com o que você sentiu, como reagiu e ponto.
Mamãe, está aprendendo. Vivia com palavras na garganta, que não dizia pra não desagradar. Que bobeira, né! A gente não precisa agradar sempre. Ando aprendendo isso com você, que desde pequenininho já mostra que não quer ser sempre "bonzinho". Tem horas que quer mesmo é me contrariar e nem liga pra isso. E é isso, filho. Têm horas que não tem que ligar mesmo pro outro. O melhor é ser você, o João, com o que você sentiu, como reagiu e ponto.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
YouTube - Almost Famous - Tiny Dancer
YouTube - Almost Famous - Tiny Dancer
Quero te dar uma casa que vá além dessa nossa de quatro e algumas outras paredes. Quero que você se leve pela vida e saiba que sua casa pode acontencer em qualquer parte do mundo, em um dia ensolorado ou cheio de nuvens cinzentas. Quero que saiba que sua casa pode ser a alegria de quem você ama. Pode ser também o sim que você tanto desejou. Pode ser também um não que vai te deixar sem chão. Pode ser uma música lenta, pode ser o melhor rock´n roll. E o mais importante: quero que aprenda que muitas vezes sua casa poderá ser simplesmente você!
Quero te dar uma casa que vá além dessa nossa de quatro e algumas outras paredes. Quero que você se leve pela vida e saiba que sua casa pode acontencer em qualquer parte do mundo, em um dia ensolorado ou cheio de nuvens cinzentas. Quero que saiba que sua casa pode ser a alegria de quem você ama. Pode ser também o sim que você tanto desejou. Pode ser também um não que vai te deixar sem chão. Pode ser uma música lenta, pode ser o melhor rock´n roll. E o mais importante: quero que aprenda que muitas vezes sua casa poderá ser simplesmente você!
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Hoje, que meu dia está cor de chuvinha com lama, quero falar de um menino que estuda uma tal terra e que guardou um tesouro dentro dela. E eu que de sorte não reclamo, encontrei o tal menino, perdido por essa terra, encontrado dentro dela. E eu que de perdida tenho tudo, de encontrada quase nada, perdida me encontrei no tesouro lá da terra. E era tesouro com besouro, que reluzia e tilintava. E o "tum, tum tum" acordou o tal menino, que com mãos de terra fez do sonho o seu caminho, com tesouro e com bichinho, com João e com carinho.
Assinar:
Postagens (Atom)
