quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Filhote,
agora você tem uma grande amiga, a Manu, que nasceu no dia 13 de outubro desse ano. Ela é linda como a mãe e o pai, Gabriela e Patrick! Tem um semblante sereno e ficou tão quieta no meu colo. Tão bom sentir cheiro de criança pequena. Fiquei imagindo você e só de pensar agora em como será o momento da sua chegada a esse mundo fico com lágrimas nos olhos...


Nasceu Manuela,
filha de Gabriela,
amiga que não dá
pra ficar longe dela!
Nasceu Manuela,
e foi lindo estar com ela!
Manuela,
tão bela!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Filho querido,
ontem saindo da análise, ao sair do prédio bateu um cheiro de mato misturado com o de chuva. Um cheiro que me fez lembrar uma viagem que fiz à região Sudeste da Austrália, quando morei por lá. Meu olhos ficaram cheios de lágrimas, porque o cheiro me fez lembrar de uma época leve, boa demais. Nessa época eu ficava muito sozinha. E quando estamos sozinhos vem uma força lá de dentro, uma força diferente.
Ontem, depois de sentir esse cheiro que me fez lembrar essas sensações que experimentei tão longe, veio-me automaticamente essa força. Eu estava indo fazer a ecografia pra te ver, pra saber se está tudo bem com você. Esses momentos são meio tensos pra mim. Fico um pouco insegura. E foi muito especial sentir um cheiro forte, que me fez resgatar esse meu poder de encarar tudo de frente, de forma muito positiva, muito leve. Fui pra ecografia assim, cheia de vida, cheia de esperança. Seu pai ligou e eu passei isso a ele, já que ele não estaria perto da gente nessa hora. E aí fomos eu e sua Vó, pra te ver. E deu tudo certo!!!

Engraçado como os sentidos se aguçam na gravidez. Meu olfato é naturalmente bom. Agora, então! E foi assim ontem, com meu olfato resgatando uma Mariana destemida, uma Mariana que talvez seja a verdadeira. Porque talvez eu tenha me aculturado demais, deixando me influenciar demais. Talvez a genuína Mariana tenha ficado numa caixinha do incosciente pouco acessível, que está sendo aberta pouco a pouco.

Cheiro de Mato.
Cheiro de Chuva.
Um sentimento me inunda.
O amor que circunda,
de enlace ao vento,
traz a força até mim.
Cheiro de vida.
João diz que sim.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Filho,
li recentemente que as insônias noturnas estão sempre associadas aos nossos medos. Achei isso tão certo. Eu tenho muitas insônias e quase sempre elas despertam em mim alguns medos bobos, que durante o dia jamais me alcançariam. Começo a viajar e viajar... Mas nessas viagens nem sempre tenho encontros com os meus temores incoscientes. Vez ou outra, ou melhor dizendo, nessas insônias, me vêm meus meus melhores "insights". Por exemplo, nessa noite de insônia pensei no quão importante seria lhe dizer sobre seu pai. É engraçado porque há tempos as pessoas que o conheçem (e até há muito mais tempo que eu) soltam comentários sobre ele tão estranhos a mim. E aí aprendi algo muito importante sobre seu pai. Ele é daqueles que tem um tesouro escondido, daqueles grandiosos. Ele é um homem que faz poesia, divaga sobre a vida! É daqueles que se sensibiliza diante de detalhes que passariam inobservados aos olhos de muitos. Mas tudo isso ele faz dentro do seu recôndito mundo, acessível a muitos poucos. E não porque ele queira guardar seus tesouros. É que pra ele pouco importa o reconhecimento. Ele não precisa das luzes. Já as têm dentro da alma. E eu descobri que isso é o que me faz amá-lo tanto.
Será pra você meu filho um grande encontro, o encontro com esse homem que é seu pai, dono de uma alma que brilha com luz própria, uma luz que nem sempre se enxerga, porque ela é a luz dos homens que labutam na terra, em silêncio, antigos, quietos, mas não menos grandiosos, porque cultivam o simples, porque conhecem os homens, pobres e ricos, bonitos e feios, sem que deles se sintam diversos, misturando-se e tornando-se genuinamente bons.