sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Filho querido,
ontem saindo da análise, ao sair do prédio bateu um cheiro de mato misturado com o de chuva. Um cheiro que me fez lembrar uma viagem que fiz à região Sudeste da Austrália, quando morei por lá. Meu olhos ficaram cheios de lágrimas, porque o cheiro me fez lembrar de uma época leve, boa demais. Nessa época eu ficava muito sozinha. E quando estamos sozinhos vem uma força lá de dentro, uma força diferente.
Ontem, depois de sentir esse cheiro que me fez lembrar essas sensações que experimentei tão longe, veio-me automaticamente essa força. Eu estava indo fazer a ecografia pra te ver, pra saber se está tudo bem com você. Esses momentos são meio tensos pra mim. Fico um pouco insegura. E foi muito especial sentir um cheiro forte, que me fez resgatar esse meu poder de encarar tudo de frente, de forma muito positiva, muito leve. Fui pra ecografia assim, cheia de vida, cheia de esperança. Seu pai ligou e eu passei isso a ele, já que ele não estaria perto da gente nessa hora. E aí fomos eu e sua Vó, pra te ver. E deu tudo certo!!!

Engraçado como os sentidos se aguçam na gravidez. Meu olfato é naturalmente bom. Agora, então! E foi assim ontem, com meu olfato resgatando uma Mariana destemida, uma Mariana que talvez seja a verdadeira. Porque talvez eu tenha me aculturado demais, deixando me influenciar demais. Talvez a genuína Mariana tenha ficado numa caixinha do incosciente pouco acessível, que está sendo aberta pouco a pouco.

Cheiro de Mato.
Cheiro de Chuva.
Um sentimento me inunda.
O amor que circunda,
de enlace ao vento,
traz a força até mim.
Cheiro de vida.
João diz que sim.

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