Entre mim e você: tempo pequenino, tempo distraído.
Entre mim e você: uma falta dolorida, uma presença colorida.
Entre mim e você: chuva de verão e sol de mansidão.
Houve quem dissesse que entre mim e você, era alma, amor, amigo, um coração de menino.
Entre mim e você: JOÃO!
Entre mim e você, entre mim e João, por você e por João: AMOR!
domingo, 16 de novembro de 2008
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Eu te amo filhinho. Queria dizer que te amo, meu pequenininho. Mamãe, anda meio tristonha. Fica com medo de não te fazer bem. Mas mamãe te ama muito, um amor de montanha. Amor de montanha é daquele gigante, sólido e inabalável. Então, mesmo triste, mamãe tá aqui, com amor de montanha, que de tão grande e fortão, faz com que a tristeza não te pegue não!

Dia de sexta. Chegamos no final do dia no Rio. Eu, como quase nunca, fui rápida. Peguei um pouco do necessário pra ir a praia com você. Doida, curiosa pra te ver ali perto daquilo que sempre foi tão fascinante pra mim. Seu pai, cansado, trabalhando quase "virado" há três dias, disse que preferia ficar dormindo. Fomos, então, eu, você e seus avós . Antes mesmo de atravessarmos toda a areia seu pai chegou, ofegante. Veio correndo. Olhei de riso aberto. Ele com seu olhinhos sempre apertados falou: eu não podia perder isso.
Foi a primeira vez que você viu o mar...
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
sábado, 16 de agosto de 2008
Dez anos de formada. Cinco anos de carreira. Um ano ao lado de Fábio, ainda pregando quadros ali e acolá, montando álbuns, comprando enfeites e outros badulaques. Sete meses de maternidade. Sete meses ao lado do João. É, virei gente grande! Quando era pequena adorava ir com minha mãe aos supermercados. Lembro-me bem do Jumbo e da minha figurinha com mais ou menos sete anos entre corredores de panelas e vazilhas. Era o meu lugar predileto. Ficava sonhando com um filhinho, com um maridinho e todos os copinhos e as panelinhas colorindo meu sonho dourado de casinha. Crescendo, já moçinha, achei isso tudo muito chato. Queria mesmo era saber de viajar e viajar... E virar gente grande nem pensar. Fiquei viajando até bem outro dia, mesmo crescida e com panelinhas a adornar um cantinho pequenino. De repente, veio Fábio, veio João. Montei uma casinha maior, virei mulherzinha, virei maezinha. Virei gente grande. Pela primeira vez, vi que gente grande é coisa boa. É coisa séria, cheia de responsabilidade, mas é coisa muito boa. Foi preciso um tal amor de mãe chegar, pra tocar lá dentro do coração e me mostrar que rotina não faz mal não. Rotina faz mal se não tem uma casinha, com panelinha, com criançinha, com um amorzinho, que faz da vida uma flor muito coloridinha.
domingo, 20 de julho de 2008
sexta-feira, 30 de maio de 2008

Filho, outro dia, tava cá eu matutando sobre uma certa tristeza que é meio minha, que assola minha vida vez ou outra. Fiquei a pensar se seu pai e você, como homens que são, não prefeririam mulheres mais engraçadas, de alma um pouco mais leve. É que tenho dias que de leve não tenho nada. Minha alma pesa feito chumbo. Fico melancólica. Fico triste mesmo. Motivos: tantos... Mundo injusto, um tango forte, um sambinha doce, filme delicado, uma casinha de João de barro no jardim da Vovó, saudade, amor, incompressão, intolerância. Tanta coisa! Num desses tais dias cinzentos, resolvi ouvir Vinícius de Moraes. O artista, então, falando sobre mulher, falou um pouquinho de mim. Entendi, então, que minha tristeza também é encanto. Diz, então, mestre Vinícius, diz para os meus homens que "ser alegre é melhor do que ser triste", mas que sem "tristeza não se faz um samba não"!
"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não"
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Eu que amo tanto poesia, que as leio algumas vezes noite e dia, não consegui fazer dela o seu dia a dia, João. Já seu pai, que nela não enxerga lá muita alegria, conseguiu fazer dela seu dia a dia. Te levou a passear e procurou te ensinar certos cheiros e cores da natureza. No seu rosto encostou uma plantinha. Pôs-se a explicar: "Experimenta na sua pela a maciez dessa flor!" Deu-te a flor as mãos. Já em casa, com você ao colo, entrou no quarto e me acordou: "Bom dia, trouxemos pra você essa florzinha!"
Pra mim, mais que a florzinha, ganhei poesia de quem diz que não gosta de poesia, mas que é pura poesia. De nada adianta assim ser tão letrado. De tudo adianta assim ser tão delicado.
Pra mim, mais que a florzinha, ganhei poesia de quem diz que não gosta de poesia, mas que é pura poesia. De nada adianta assim ser tão letrado. De tudo adianta assim ser tão delicado.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Hoje, o dia está cinza e junto com ele estou nublada. A chuva que se arma lá fora, aqui dentro de casa já é senhora. Procuro, procuro e procuro, mas nada de achar um raio de sol. O sol que me vem é um antigo, um sol de lembranças, que existiu quando eu era dona do meu tempo, do meu corpo, da minha liberdade. Acordei egoísta. Acordei pessimista.
Meus pensamentos voaram por agora até seu berço, até seu sono. Ao pé do teu ouvido, peço-te: perdoa mamãe, essa mulher mundana, feita de matéria humana.
Meus pensamentos voaram por agora até seu berço, até seu sono. Ao pé do teu ouvido, peço-te: perdoa mamãe, essa mulher mundana, feita de matéria humana.
quinta-feira, 17 de abril de 2008

Alegria no chegar. Tristeza no partir. Duas frases que se encontram num único lugar, num tal aerporto. É João, te levei pela primeira vez nesse lugarzinho interessante. Você ficou lá a observar tudo. Chegamos eu, seu pai e você. Na entrada do embarque, fez-se uma cena que será comum em nossa vidas: a despedida. Seu pai olhou pra nós, nos beijou e saiu de olhos marejados. Eu me virei. Sai rápido com você no colo. Não tive coragem de ficar ali a olhar seu pai ir embora. A tristeza me invadiu de tal forma, que o passo apressou. Sai dali atônita, com você no colo, tão pequenino e já imerso nessa tão difícil SAUDADE.
segunda-feira, 24 de março de 2008
Faça sol ou faça chuva, lá estou eu todo dias as seis horas da manhã, muitas vezes as cinco e meia, na minha melhor função do dia: fazer o João rir! Eu posso estar no fim das minhas forças e confesso que nesses horários em que a luz do dia é bem fraquinha o que mais transparece no meu rosto é o cansaço. Mas nada, nada me tira a vontade de fazer o João ficar alegre. Esse é o meu olhar horário dele. Acorda feliz da vida, pouco exigente, contente de simplesmente olhar pra mim. E seu eu ofereço a ele meia dúzia de gritinhos e de passeios pelos cantos da casa, a alegria dele é de estarrecer. Isso hoje mexeu comigo. Pensei que todos nós devíamos era tomar essa função de tornar alguém alegre no dia pra sempre. Se todo dia acordássemos e fizessemos ao menos uma pessoa sorrir o mundo seria bem melhor! Aposto que sim! Enquanto isso, fico cá eu na função de fazer o meu filhote bem feliz, todo dia, faça sol ou faça chuva!!!
quinta-feira, 13 de março de 2008
terça-feira, 4 de março de 2008
Uma boquinha desenhadinha;
sorriso de mil encantos.
Olhos aqui, olhos acolá,
atentos a procurar.
Buscam divertidas cores,
algumas a brilhar.
A música tocou;
o ouvidinho escutou.
E agora o que veio?
Um tal cheiro...
É comidinha.
E os cantos da boquinha,
de novo a procurar.
Procura o leite,
menininho!
É hora de acalmar.
Vem um certo soninho,
sonhos a embalar.
sorriso de mil encantos.
Olhos aqui, olhos acolá,
atentos a procurar.
Buscam divertidas cores,
algumas a brilhar.
A música tocou;
o ouvidinho escutou.
E agora o que veio?
Um tal cheiro...
É comidinha.
E os cantos da boquinha,
de novo a procurar.
Procura o leite,
menininho!
É hora de acalmar.
Vem um certo soninho,
sonhos a embalar.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
Entre amigas
Oi Jú querida! Amei seu email!
É engraçado como a maternidade deixa todas as mães solidárias. Parece que há uma vontade enorme de compartilhar experiências e principalmente de dar um ombro amigo às mães que se iniciam nesse novo caminho, tão belo, mas não menos difícil. Outro dia, depois de passar umas horinhas acordada com o João, escutei um choro de um bebê, vindo de um prédio vizinho. Eu, na hora, virei pro lado e disse pro Fábio: "vamos mandar uma energia positiva pra essa duplinha de mãe e filho que irá ficar de olhos abertos, longe dos sonhos."
Eita mundo cheio de encantos, mas complicado. Ao menos pra mim! Não vou ser hipócrita e dizer que lidei com tudo como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Sei que pra algumas mulheres é fácil e simples de fazer acontecer, mas pra mim não foi. Me senti assustada, desastrada e despreparada. Fábio queria que eu colocasse a mão na massa e eu não conseguia. Chorava aos quatro cantos da casa. Aos poucos a insegurança foi passando. Estabeleci que a palavra de ordem seria PACIÊNCIA, comigo e com o João. Afinal, somos iniciantes nesse mundo. Eu e ele! Ele aqui nessa terra maluca, cheio de gente ao redor, tagarelando e pegando nele como se fosse um bichinho de pelúcia. Isso depois de nove meses num mundinho só dele, calmo e sereno. Que loucura! Eu, de outro lado, de repente, com um bebê dentro de casa, comunicando-se apenas pelo choro e gemidos. Sem palavras entre nós. Logo comigo, que sempre amei a tal "palavra". E nesse meu novo mundo as palavras não se fizeram presentes. Fugiram. A comunicação ficou no gestual. Os livros ao meu redor não me preparam pra isso. As minhas teorias sobre como agir não me deram noção do que realmente fazer. A gravidez no meu caso não me alertou. Foi apenas um pequeno, um mínimo pedaço do processo de transformação MARIANA-FILHA para MARIANA-MÃE. Por isso acho que sofri um pouco. Resolvi, então, não esperar a licença-maternidade e voltei logo pra análise; só meia horinha por semana. Percebi que não podia deixar esse mexilhão de sentimentos que é ser MÃE passar incólume na minha vida, entre fraldas, leite e outras cositas mais. Há muito mais nisso pra ser explorado, muito mais.
Minha mãe e algumas outras pessoas não me entederam muito e vez ou outra não entendem. Acham que questiono muito e talvez por isso sofra mais e faça dos acontecimentos na minha vida algo mais complexo do que deveria. Mas essa sou eu, essa é a mãe que o JOÃO vai ter. E pra ele ser feliz, precisa de uma mãe inteira, que se conheça bem, que se permita ser quem é, questionadora, dramática, intensa, brava, meio louca.
E assim te digo que o balanço do primeiro mês de vida dele é o seguinte: sinto a vida mais em detalhes. É como se o tempo estivesse mais lento pra mim. O fato de passar muito tempo dentro de casa, junto dele, que evolui de uma forma bem sútil, me faz olhar o mundo assim também. Reparo em detalhes nas ruas que antes não via. Dou muito valor a uma simples conversa com uma amiga. Olho Fábio com outros olhos e um vinho com ele tem um sabor todo especial. O amor que o João me trouxe, aumentou o meu amor pela vida, pelos detalhes que ela me oferece.
Claro que tem a parte dura, o pouco sono, o choro que eu não interpreto, a fralda que vaza toda noite. Mas nada melhor do que vê-lo crescer, perdendo as roupinhas, ficando de olhos mais abertos. Fico curiosa demais pra saber quem é João, como ele vai ser. Mais uma vez tenho que ter PACIÊNCIA. É tempo de esperar o tempo passar...
Muitos e muitos beijos, cheios de amor, pra você, Henrique querido e Maria.
PS: depois se quiser dá uma olhadinha no blog que fiz pro João, desde a gravidez. Aliás, este email vai pra lá, porque acabou sendo um grande desabafo.
É engraçado como a maternidade deixa todas as mães solidárias. Parece que há uma vontade enorme de compartilhar experiências e principalmente de dar um ombro amigo às mães que se iniciam nesse novo caminho, tão belo, mas não menos difícil. Outro dia, depois de passar umas horinhas acordada com o João, escutei um choro de um bebê, vindo de um prédio vizinho. Eu, na hora, virei pro lado e disse pro Fábio: "vamos mandar uma energia positiva pra essa duplinha de mãe e filho que irá ficar de olhos abertos, longe dos sonhos."
Eita mundo cheio de encantos, mas complicado. Ao menos pra mim! Não vou ser hipócrita e dizer que lidei com tudo como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Sei que pra algumas mulheres é fácil e simples de fazer acontecer, mas pra mim não foi. Me senti assustada, desastrada e despreparada. Fábio queria que eu colocasse a mão na massa e eu não conseguia. Chorava aos quatro cantos da casa. Aos poucos a insegurança foi passando. Estabeleci que a palavra de ordem seria PACIÊNCIA, comigo e com o João. Afinal, somos iniciantes nesse mundo. Eu e ele! Ele aqui nessa terra maluca, cheio de gente ao redor, tagarelando e pegando nele como se fosse um bichinho de pelúcia. Isso depois de nove meses num mundinho só dele, calmo e sereno. Que loucura! Eu, de outro lado, de repente, com um bebê dentro de casa, comunicando-se apenas pelo choro e gemidos. Sem palavras entre nós. Logo comigo, que sempre amei a tal "palavra". E nesse meu novo mundo as palavras não se fizeram presentes. Fugiram. A comunicação ficou no gestual. Os livros ao meu redor não me preparam pra isso. As minhas teorias sobre como agir não me deram noção do que realmente fazer. A gravidez no meu caso não me alertou. Foi apenas um pequeno, um mínimo pedaço do processo de transformação MARIANA-FILHA para MARIANA-MÃE. Por isso acho que sofri um pouco. Resolvi, então, não esperar a licença-maternidade e voltei logo pra análise; só meia horinha por semana. Percebi que não podia deixar esse mexilhão de sentimentos que é ser MÃE passar incólume na minha vida, entre fraldas, leite e outras cositas mais. Há muito mais nisso pra ser explorado, muito mais.
Minha mãe e algumas outras pessoas não me entederam muito e vez ou outra não entendem. Acham que questiono muito e talvez por isso sofra mais e faça dos acontecimentos na minha vida algo mais complexo do que deveria. Mas essa sou eu, essa é a mãe que o JOÃO vai ter. E pra ele ser feliz, precisa de uma mãe inteira, que se conheça bem, que se permita ser quem é, questionadora, dramática, intensa, brava, meio louca.
E assim te digo que o balanço do primeiro mês de vida dele é o seguinte: sinto a vida mais em detalhes. É como se o tempo estivesse mais lento pra mim. O fato de passar muito tempo dentro de casa, junto dele, que evolui de uma forma bem sútil, me faz olhar o mundo assim também. Reparo em detalhes nas ruas que antes não via. Dou muito valor a uma simples conversa com uma amiga. Olho Fábio com outros olhos e um vinho com ele tem um sabor todo especial. O amor que o João me trouxe, aumentou o meu amor pela vida, pelos detalhes que ela me oferece.
Claro que tem a parte dura, o pouco sono, o choro que eu não interpreto, a fralda que vaza toda noite. Mas nada melhor do que vê-lo crescer, perdendo as roupinhas, ficando de olhos mais abertos. Fico curiosa demais pra saber quem é João, como ele vai ser. Mais uma vez tenho que ter PACIÊNCIA. É tempo de esperar o tempo passar...
Muitos e muitos beijos, cheios de amor, pra você, Henrique querido e Maria.
PS: depois se quiser dá uma olhadinha no blog que fiz pro João, desde a gravidez. Aliás, este email vai pra lá, porque acabou sendo um grande desabafo.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Meus dois homens dormem. Eles são parte um do outro, feitos da mesma matéria. De um acho que sei um pouco. De outro, apenas bem pouco. O tempo me dirá mais deles. Um é doce. Sei dele algumas coisas. Sei que um dia ele ficou perto de mim, deitou do meu lado, espreitando o que eu estava a ler. Na verdade, mal queria saber do livro. Em verdade, bem queria saber de mim. Soube, então, de mim. Fez um filho em mim. Veio, então, esse outro homem que apenas bem pouquinho conheço. Ele dorme. Suas mãos tão pequenas estão soltas no ar... Sei que o tempo vai trazer muito deles pra mim. Muitas vezes, tenho pressa. Quero saber mais deles, mas sei que não posso. Simplesmente, não posso. Deixo, então, meus dois homens a dormir, porque no sono deles eu posso.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Banho com gotas de chuva!
Estávamos na casa da Vovó e do Vovô a preparar seu primeiro banho. Enquanto Vovó se encarregava da água do seu banho, você estava no meu colo. Estávamos na sala e eu sentada num sofá azul cobalto. Lá seus olhos corriam todos os inúmeros coloridos quadros. Foi quando começou um chuva forte e todo o cheiro que dela veio invadiu a sala. Nesse momento, Vovó apareceu lá fora, vindo com o balde d'água, todo atrapalhada por conta da chuva. Dizia: "ai, meu Deus, vai cair chuva na água fervida do banho do João." Eu falei lá de dentro: deixa mãe! Fiquei feliz demais com um banho cheio de gotinhas da chuva. E Vovó, então, deixou que no tal balde caísse água da chuva. Foi o seu pequeno primeiro banho de chuva! Chuva, chuva, chuva!
Engraçado, só acordei pra Dona Chuva depois que fiquei grávida de você. Antes, achava chuva coisa chata. Ficava impressionoda quando a Tia Bia dizia que adorava tomar banho de chuva. Depois fui entender que Tia Bia tinha razão. Chuva tem um quê de mudança. Quando ela vem, você sabe que algo vai mudar; que pode vir brisa, que pode vir um arco íris, que pode vir mais chuva, que pode vir sol. Traz vida! Muita vida! Porque só muda quem está vivo. Só mesmo você, João, pra me mostrar o caminho da chuva. E chove chuva, chove sem parar...
Engraçado, só acordei pra Dona Chuva depois que fiquei grávida de você. Antes, achava chuva coisa chata. Ficava impressionoda quando a Tia Bia dizia que adorava tomar banho de chuva. Depois fui entender que Tia Bia tinha razão. Chuva tem um quê de mudança. Quando ela vem, você sabe que algo vai mudar; que pode vir brisa, que pode vir um arco íris, que pode vir mais chuva, que pode vir sol. Traz vida! Muita vida! Porque só muda quem está vivo. Só mesmo você, João, pra me mostrar o caminho da chuva. E chove chuva, chove sem parar...
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
O que dizer desses últimos vinte e poucos dias que você, João, chegou na minha vida? Tanto, tanto, tanto... Estou te conheçendo e você a mim. Eu também me conheço e você se conhece. Ando aos cantos desta casa, tão nossa, procurando encontrar a mãe que está dentro de mim. Tropeço, me atrapalho e choro. Tive medo e ainda tenho medo. Mas aos poucos vou me encontrando. Meu caminho da maternidade vai abrindo espaço na mata fechada. Vez ou outra cai uma tempestade. Outras vezes abre aquele sol e tudo parece tão simples! O caminho fica iluminado e fácil. Nos momentos de chuva forte, ainda conto com os fantasmas dos outros, até mesmo dos que me amam, fazendo um pequeno julgamento a meu respeito. No início, esses fantasmas tomavam conta de mim e a chuva se tornava uma tempestade. Agora a chuva é só chuva! E sigo caminhando, nesse mata silenciosa e que é só minha e sua. Um caminho nosso!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Foi dia oito de janeiro. Foi no ano de 2008. Foi as oito e trinta e três da noite. Foi, então, que você nasceu. Seu primeiro choro foi manso. Foi o sinal de que você veio em paz. Veio trazer paz a mamãe e ao papai. Veio me mostrar que o amor é muito mais calmo do que eu podia imaginar. Agora, você dorme com a leveza de um anjo. Ao fundo, uma música com sons tribais, forte, mas simples. E eu, escrevo, escrevo pra te contar que o que sinto agora é cheio de paz, é calmo, é leve, é forte, é simples. É amor! De verdade!
domingo, 6 de janeiro de 2008
Ontem, fui ao cinema ver o filme brasileiro "Meu nome não é Johny". Sabia bem mais ou menos do que se tratava, ou seja, que eles iriam falar sobre uma história verdadeira de um traficante da zona sul. A história me deixou meio abalada. Me colocou dentro de tudo de uma forma muito forte. Em primeiro lugar, porque droga e tráfico hoje são coisas muito próximas, que acontecem perto da gente e perto até de quem amamos muito. Em segundo porque trabalho do lado de quem acha que está "combatendo" esse tal tráfico, essa tal droga. Assumi na vida o trabalho do ator que interpreta o Promotor de Justiça, mas me identifiquei mais com o perfil da Juíza do filme, querendo acreditar que uma prisão pode de alguma forma socializar, meio que dar um "start" no cara, um despertar pra outra vida. Mas convenhamos que esse tal "start" só vai rolar se ele voltar pra um meio que dê condições de um novo "despertar", porque senão volta a bola viva e o crime vai de novo compensar. O chato é pensar que a maioria da nossa população carcerária não volta a um lar doce lar. E aí, onde fica minha doce esperança de criança?
E por fim, pra me deixar ainda mais zonza, o nome do traficante do filme é João. Seu nome filhote!!! Fiquei tensa na sessão de cinema. Deu vontade de ir embora. Por quê? Por saber da responsabilidade que é criar um filho, num mundão como este. Bateu um medão. Será que vou dar conta do meu João. E não é que lá pelas tantas no filme, o tal João tem um ato de dignidade lindo. Mesmo preso, lascado, envolvido com um crime muito grave, confessa. Diz tudo de ruim que fez a Juíza e ainda não deixa que os amigos paguem pelo que fez. Demonstrou um ato nobre. Eu gosto de gente que confessa. Um dia um advogado disse que eu gostava disso porque facilitava a minha vida de Promotora; que confissão era coisa do século passado. Até parece! Confissão não é nada disso. Confissão é encontro com sua própria verdade. Quem confessa é corajoso. Assume podre. E podre todos temos. Aliás, a confissão mostra na minha opinião que houve um pequeno "start", o início do "despertar" para um novo mundo. Então, dá pra dizer que mesmo com medão, estou aqui João, nesse mundão, onde vez ou outra acontece uma confissão! Mamãe tem esperança! Tem sim!
E por fim, pra me deixar ainda mais zonza, o nome do traficante do filme é João. Seu nome filhote!!! Fiquei tensa na sessão de cinema. Deu vontade de ir embora. Por quê? Por saber da responsabilidade que é criar um filho, num mundão como este. Bateu um medão. Será que vou dar conta do meu João. E não é que lá pelas tantas no filme, o tal João tem um ato de dignidade lindo. Mesmo preso, lascado, envolvido com um crime muito grave, confessa. Diz tudo de ruim que fez a Juíza e ainda não deixa que os amigos paguem pelo que fez. Demonstrou um ato nobre. Eu gosto de gente que confessa. Um dia um advogado disse que eu gostava disso porque facilitava a minha vida de Promotora; que confissão era coisa do século passado. Até parece! Confissão não é nada disso. Confissão é encontro com sua própria verdade. Quem confessa é corajoso. Assume podre. E podre todos temos. Aliás, a confissão mostra na minha opinião que houve um pequeno "start", o início do "despertar" para um novo mundo. Então, dá pra dizer que mesmo com medão, estou aqui João, nesse mundão, onde vez ou outra acontece uma confissão! Mamãe tem esperança! Tem sim!
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Madrugada do dia 04. Dia em que eu e seu pai estamos fazendo um ano de namoro. Ele está dormindo. Dá alguns sorrisos enquanto dorme. Me enterneço e o encho de beijos. Ele não percebe. Fica lá, perdido no plácido sono dele. E eu, ao lado dele, a imaginar o que povoa esse sono entrecortado por expressões alegres. Deve ser algo leve, meio que voando. Algo puro. Nada mais que isso. Peço agora a Deus que um pouco disso invada você, João.
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