Ontem, fui ao cinema ver o filme brasileiro "Meu nome não é Johny". Sabia bem mais ou menos do que se tratava, ou seja, que eles iriam falar sobre uma história verdadeira de um traficante da zona sul. A história me deixou meio abalada. Me colocou dentro de tudo de uma forma muito forte. Em primeiro lugar, porque droga e tráfico hoje são coisas muito próximas, que acontecem perto da gente e perto até de quem amamos muito. Em segundo porque trabalho do lado de quem acha que está "combatendo" esse tal tráfico, essa tal droga. Assumi na vida o trabalho do ator que interpreta o Promotor de Justiça, mas me identifiquei mais com o perfil da Juíza do filme, querendo acreditar que uma prisão pode de alguma forma socializar, meio que dar um "start" no cara, um despertar pra outra vida. Mas convenhamos que esse tal "start" só vai rolar se ele voltar pra um meio que dê condições de um novo "despertar", porque senão volta a bola viva e o crime vai de novo compensar. O chato é pensar que a maioria da nossa população carcerária não volta a um lar doce lar. E aí, onde fica minha doce esperança de criança?
E por fim, pra me deixar ainda mais zonza, o nome do traficante do filme é João. Seu nome filhote!!! Fiquei tensa na sessão de cinema. Deu vontade de ir embora. Por quê? Por saber da responsabilidade que é criar um filho, num mundão como este. Bateu um medão. Será que vou dar conta do meu João. E não é que lá pelas tantas no filme, o tal João tem um ato de dignidade lindo. Mesmo preso, lascado, envolvido com um crime muito grave, confessa. Diz tudo de ruim que fez a Juíza e ainda não deixa que os amigos paguem pelo que fez. Demonstrou um ato nobre. Eu gosto de gente que confessa. Um dia um advogado disse que eu gostava disso porque facilitava a minha vida de Promotora; que confissão era coisa do século passado. Até parece! Confissão não é nada disso. Confissão é encontro com sua própria verdade. Quem confessa é corajoso. Assume podre. E podre todos temos. Aliás, a confissão mostra na minha opinião que houve um pequeno "start", o início do "despertar" para um novo mundo. Então, dá pra dizer que mesmo com medão, estou aqui João, nesse mundão, onde vez ou outra acontece uma confissão! Mamãe tem esperança! Tem sim!
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