Oi Jú querida! Amei seu email!
É engraçado como a maternidade deixa todas as mães solidárias. Parece que há uma vontade enorme de compartilhar experiências e principalmente de dar um ombro amigo às mães que se iniciam nesse novo caminho, tão belo, mas não menos difícil. Outro dia, depois de passar umas horinhas acordada com o João, escutei um choro de um bebê, vindo de um prédio vizinho. Eu, na hora, virei pro lado e disse pro Fábio: "vamos mandar uma energia positiva pra essa duplinha de mãe e filho que irá ficar de olhos abertos, longe dos sonhos."
Eita mundo cheio de encantos, mas complicado. Ao menos pra mim! Não vou ser hipócrita e dizer que lidei com tudo como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Sei que pra algumas mulheres é fácil e simples de fazer acontecer, mas pra mim não foi. Me senti assustada, desastrada e despreparada. Fábio queria que eu colocasse a mão na massa e eu não conseguia. Chorava aos quatro cantos da casa. Aos poucos a insegurança foi passando. Estabeleci que a palavra de ordem seria PACIÊNCIA, comigo e com o João. Afinal, somos iniciantes nesse mundo. Eu e ele! Ele aqui nessa terra maluca, cheio de gente ao redor, tagarelando e pegando nele como se fosse um bichinho de pelúcia. Isso depois de nove meses num mundinho só dele, calmo e sereno. Que loucura! Eu, de outro lado, de repente, com um bebê dentro de casa, comunicando-se apenas pelo choro e gemidos. Sem palavras entre nós. Logo comigo, que sempre amei a tal "palavra". E nesse meu novo mundo as palavras não se fizeram presentes. Fugiram. A comunicação ficou no gestual. Os livros ao meu redor não me preparam pra isso. As minhas teorias sobre como agir não me deram noção do que realmente fazer. A gravidez no meu caso não me alertou. Foi apenas um pequeno, um mínimo pedaço do processo de transformação MARIANA-FILHA para MARIANA-MÃE. Por isso acho que sofri um pouco. Resolvi, então, não esperar a licença-maternidade e voltei logo pra análise; só meia horinha por semana. Percebi que não podia deixar esse mexilhão de sentimentos que é ser MÃE passar incólume na minha vida, entre fraldas, leite e outras cositas mais. Há muito mais nisso pra ser explorado, muito mais.
Minha mãe e algumas outras pessoas não me entederam muito e vez ou outra não entendem. Acham que questiono muito e talvez por isso sofra mais e faça dos acontecimentos na minha vida algo mais complexo do que deveria. Mas essa sou eu, essa é a mãe que o JOÃO vai ter. E pra ele ser feliz, precisa de uma mãe inteira, que se conheça bem, que se permita ser quem é, questionadora, dramática, intensa, brava, meio louca.
E assim te digo que o balanço do primeiro mês de vida dele é o seguinte: sinto a vida mais em detalhes. É como se o tempo estivesse mais lento pra mim. O fato de passar muito tempo dentro de casa, junto dele, que evolui de uma forma bem sútil, me faz olhar o mundo assim também. Reparo em detalhes nas ruas que antes não via. Dou muito valor a uma simples conversa com uma amiga. Olho Fábio com outros olhos e um vinho com ele tem um sabor todo especial. O amor que o João me trouxe, aumentou o meu amor pela vida, pelos detalhes que ela me oferece.
Claro que tem a parte dura, o pouco sono, o choro que eu não interpreto, a fralda que vaza toda noite. Mas nada melhor do que vê-lo crescer, perdendo as roupinhas, ficando de olhos mais abertos. Fico curiosa demais pra saber quem é João, como ele vai ser. Mais uma vez tenho que ter PACIÊNCIA. É tempo de esperar o tempo passar...
Muitos e muitos beijos, cheios de amor, pra você, Henrique querido e Maria.
PS: depois se quiser dá uma olhadinha no blog que fiz pro João, desde a gravidez. Aliás, este email vai pra lá, porque acabou sendo um grande desabafo.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Meus dois homens dormem. Eles são parte um do outro, feitos da mesma matéria. De um acho que sei um pouco. De outro, apenas bem pouco. O tempo me dirá mais deles. Um é doce. Sei dele algumas coisas. Sei que um dia ele ficou perto de mim, deitou do meu lado, espreitando o que eu estava a ler. Na verdade, mal queria saber do livro. Em verdade, bem queria saber de mim. Soube, então, de mim. Fez um filho em mim. Veio, então, esse outro homem que apenas bem pouquinho conheço. Ele dorme. Suas mãos tão pequenas estão soltas no ar... Sei que o tempo vai trazer muito deles pra mim. Muitas vezes, tenho pressa. Quero saber mais deles, mas sei que não posso. Simplesmente, não posso. Deixo, então, meus dois homens a dormir, porque no sono deles eu posso.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Banho com gotas de chuva!
Estávamos na casa da Vovó e do Vovô a preparar seu primeiro banho. Enquanto Vovó se encarregava da água do seu banho, você estava no meu colo. Estávamos na sala e eu sentada num sofá azul cobalto. Lá seus olhos corriam todos os inúmeros coloridos quadros. Foi quando começou um chuva forte e todo o cheiro que dela veio invadiu a sala. Nesse momento, Vovó apareceu lá fora, vindo com o balde d'água, todo atrapalhada por conta da chuva. Dizia: "ai, meu Deus, vai cair chuva na água fervida do banho do João." Eu falei lá de dentro: deixa mãe! Fiquei feliz demais com um banho cheio de gotinhas da chuva. E Vovó, então, deixou que no tal balde caísse água da chuva. Foi o seu pequeno primeiro banho de chuva! Chuva, chuva, chuva!
Engraçado, só acordei pra Dona Chuva depois que fiquei grávida de você. Antes, achava chuva coisa chata. Ficava impressionoda quando a Tia Bia dizia que adorava tomar banho de chuva. Depois fui entender que Tia Bia tinha razão. Chuva tem um quê de mudança. Quando ela vem, você sabe que algo vai mudar; que pode vir brisa, que pode vir um arco íris, que pode vir mais chuva, que pode vir sol. Traz vida! Muita vida! Porque só muda quem está vivo. Só mesmo você, João, pra me mostrar o caminho da chuva. E chove chuva, chove sem parar...
Engraçado, só acordei pra Dona Chuva depois que fiquei grávida de você. Antes, achava chuva coisa chata. Ficava impressionoda quando a Tia Bia dizia que adorava tomar banho de chuva. Depois fui entender que Tia Bia tinha razão. Chuva tem um quê de mudança. Quando ela vem, você sabe que algo vai mudar; que pode vir brisa, que pode vir um arco íris, que pode vir mais chuva, que pode vir sol. Traz vida! Muita vida! Porque só muda quem está vivo. Só mesmo você, João, pra me mostrar o caminho da chuva. E chove chuva, chove sem parar...
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