João,
você agora deu pra me chamar de mãe e não mamãe. Nessa algo que vem e vai. E você vai. Foi hoje a uma festa. Ali te percebi tão perto dos outros, a buscar amigos, oferecendo-lhes seus brinquedos e lanches, deixando-se levar tão ritmado pela música, ao leve balanço de sua lisa cabeleira loura. E os outros se deliciaram com sua malemolência infantil. É isso, você é um garoto cheio de malemolência.
E enquanto observo-te se entregar ao mundo, dentro de mim, num mundo que não se vê, mas se sente, está sua irmã Dora. Alguém me disse, com um certo tom crítico, que Dora é um nome de mulher da vida. Achei bom! Porque Dora vem mesmo crescendo dentro de um imperfeito perfeito mundo. Cresce em meio a nossa vida, que ora é pungente,ora é pura contemplação. Ora é poesia, ora é tempestade. Porque pra mim que sou um pouco sol, um pouco chuva, ofereço a você e a Dora um mundo de verdade, com tristes dias felizes e felizes dias tristes. Amo vocês dois, minhas mundanas crianças!
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Há muito andei certa das minhas justiças. Depois, veio um curto contentamento simples de fazer apenas o possível. Hoje uma certeza nebulosa das minhas injustiças. Nesse instante uma desalinhada angústia pela certeza de hoje. O pó da liberdade se foi com a volta das certezas.
Que vocês meus pequenos sejam menos verdade, menos certeza e mais vicissitude...
Que vocês meus pequenos sejam menos verdade, menos certeza e mais vicissitude...
sábado, 16 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Lá nos meus inacessíveis desejos da alma desejei um bebê pra nós, João. Desejei uma menina. E ainda confusa, aturdida com os estranhos desígnios da alma que não conhecessemos bem, anuncie o nome dessa menina. Chamei-a Dora. E numa noite qualquer sonhei com uma menina de cabelos cor de mel, pertinho de você, João. Uma menina entre mim e você, envolta nos suas sílabas ricas, em cigarras, abelhas e besouros vividos, na sua pele, que segundo você, hoje, acordou marron como a do lobo guará; na sua simples facilidade de estar entre todo tipo de criança. E hoje, dia 11 de outubro de 2010, sabemos que entre nós está Dora. Dora, minha filha, sua irmã. Dora, que como disse Tia Flávia, é dádiva de Deus. Dora, que também foi sua bisavó paterna. E assim podemos homenagear a doçura e a calma, que não conheci, mas consigo enxergar nas amareladas fotos, que ficam na estante da casa da sua avó Vânia. Dora, que vai ser afilhada de dois guerreiros nessa vida, Mirian, minha querida cunhada e amiga, e Luis Felipe, meu sobrinho e um pedaço enorme da minha alma. Dora, que se encontra comigo, nesse meu percurso intenso, onde o amor se mistura numa vida que só pode ser vivida se possível. E te digo, ainda é possível sonhar.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
O tatu que voava
Você se embrulhou todinho na coberta para dormir. Com a cabeçinha de fora, parecia um pequeno tatu. O sono já quase tomava conta de você e era engraçado que de olhos quase fechados o sorriso era o que estampava seu rosto. E eu pra embalar o sono que chegava com tanta alegria começei a falar. Disse a você sobre um tatu que queria encostar o rabinho no céu e dava grandes impulsos com suas patinhas nas copas das árvores. Contei-lhe que ele voava tão alto, que quando olhava pra baixo chegava a ver um mar de folhas verdes. E quando eu dizia que o tatu gostava mesmo era de mergulhar na floresta e rir com os curiosos barulhos de insetos coloridos, você finalmente dormiu. Continuou embrulhadinho como um tatu. O seu sorriso foi aos poucos se desfazendo pra se entregar de vez ao sono.
Curiosas crianças que adormecem sorrindo.
Bendito João, que me leva da terra ao céu, do céu a terra, entre tatus e folhas verdes.
Curiosas crianças que adormecem sorrindo.
Bendito João, que me leva da terra ao céu, do céu a terra, entre tatus e folhas verdes.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
João, a vida inteira você vai ter aquela sensação de que deveria ter feito mais isso ou aquilo, que deveria ter passado mais tempo com uma pessoa e menos com outra, que deveria ter brincado mais, que deveria ter dito isso ou ficado em silêncio, que deveria ter sonhado mais, enfim, o "deveria" vai chegar quase todo dia até você. Vai enxergar que o "deveria" faz parte mesmo de nós, como seres que desejam tão pouco o presente. Talvez, se enchessemos mais o nosso dia somente do próprio dia talvez o "deveria" não pulsasse tanto. E foi para que menos um "deveria" rondasse um pouco menos a minha vida e de seu pai é que este ano você vai estar entre nós, juntinho, carne com carne, olho no olho. Ao menos assim, já velhinhos, eu e seu pai, iremos olhar para trás e pensar: não ficamos a dever nada, foi feito do jeito que queríamos, pensando no amor, na presença, longe de luxos, convenções e do tal "deveria".
Sempre lembre que não foi só por você, mas por nós três. Pra que eu, você e seu pai estejamos livres de ao menos um "deveria".
ps: hoje, dia 22 de janeiro de 2010, seu pai chega para ficar entre nós "just for a big while" ou para sempre. Só o destino dirá.
Sempre lembre que não foi só por você, mas por nós três. Pra que eu, você e seu pai estejamos livres de ao menos um "deveria".
ps: hoje, dia 22 de janeiro de 2010, seu pai chega para ficar entre nós "just for a big while" ou para sempre. Só o destino dirá.
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