quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

João,
você agora deu pra me chamar de mãe e não mamãe. Nessa algo que vem e vai. E você vai. Foi hoje a uma festa. Ali te percebi tão perto dos outros, a buscar amigos, oferecendo-lhes seus brinquedos e lanches, deixando-se levar tão ritmado pela música, ao leve balanço de sua lisa cabeleira loura. E os outros se deliciaram com sua malemolência infantil. É isso, você é um garoto cheio de malemolência.
E enquanto observo-te se entregar ao mundo, dentro de mim, num mundo que não se vê, mas se sente, está sua irmã Dora. Alguém me disse, com um certo tom crítico, que Dora é um nome de mulher da vida. Achei bom! Porque Dora vem mesmo crescendo dentro de um imperfeito perfeito mundo. Cresce em meio a nossa vida, que ora é pungente,ora é pura contemplação. Ora é poesia, ora é tempestade. Porque pra mim que sou um pouco sol, um pouco chuva, ofereço a você e a Dora um mundo de verdade, com tristes dias felizes e felizes dias tristes. Amo vocês dois, minhas mundanas crianças!

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