quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O que dizer desses últimos vinte e poucos dias que você, João, chegou na minha vida? Tanto, tanto, tanto... Estou te conheçendo e você a mim. Eu também me conheço e você se conhece. Ando aos cantos desta casa, tão nossa, procurando encontrar a mãe que está dentro de mim. Tropeço, me atrapalho e choro. Tive medo e ainda tenho medo. Mas aos poucos vou me encontrando. Meu caminho da maternidade vai abrindo espaço na mata fechada. Vez ou outra cai uma tempestade. Outras vezes abre aquele sol e tudo parece tão simples! O caminho fica iluminado e fácil. Nos momentos de chuva forte, ainda conto com os fantasmas dos outros, até mesmo dos que me amam, fazendo um pequeno julgamento a meu respeito. No início, esses fantasmas tomavam conta de mim e a chuva se tornava uma tempestade. Agora a chuva é só chuva! E sigo caminhando, nesse mata silenciosa e que é só minha e sua. Um caminho nosso!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Foi dia oito de janeiro. Foi no ano de 2008. Foi as oito e trinta e três da noite. Foi, então, que você nasceu. Seu primeiro choro foi manso. Foi o sinal de que você veio em paz. Veio trazer paz a mamãe e ao papai. Veio me mostrar que o amor é muito mais calmo do que eu podia imaginar. Agora, você dorme com a leveza de um anjo. Ao fundo, uma música com sons tribais, forte, mas simples. E eu, escrevo, escrevo pra te contar que o que sinto agora é cheio de paz, é calmo, é leve, é forte, é simples. É amor! De verdade!

domingo, 6 de janeiro de 2008

Ontem, fui ao cinema ver o filme brasileiro "Meu nome não é Johny". Sabia bem mais ou menos do que se tratava, ou seja, que eles iriam falar sobre uma história verdadeira de um traficante da zona sul. A história me deixou meio abalada. Me colocou dentro de tudo de uma forma muito forte. Em primeiro lugar, porque droga e tráfico hoje são coisas muito próximas, que acontecem perto da gente e perto até de quem amamos muito. Em segundo porque trabalho do lado de quem acha que está "combatendo" esse tal tráfico, essa tal droga. Assumi na vida o trabalho do ator que interpreta o Promotor de Justiça, mas me identifiquei mais com o perfil da Juíza do filme, querendo acreditar que uma prisão pode de alguma forma socializar, meio que dar um "start" no cara, um despertar pra outra vida. Mas convenhamos que esse tal "start" só vai rolar se ele voltar pra um meio que dê condições de um novo "despertar", porque senão volta a bola viva e o crime vai de novo compensar. O chato é pensar que a maioria da nossa população carcerária não volta a um lar doce lar. E aí, onde fica minha doce esperança de criança?
E por fim, pra me deixar ainda mais zonza, o nome do traficante do filme é João. Seu nome filhote!!! Fiquei tensa na sessão de cinema. Deu vontade de ir embora. Por quê? Por saber da responsabilidade que é criar um filho, num mundão como este. Bateu um medão. Será que vou dar conta do meu João. E não é que lá pelas tantas no filme, o tal João tem um ato de dignidade lindo. Mesmo preso, lascado, envolvido com um crime muito grave, confessa. Diz tudo de ruim que fez a Juíza e ainda não deixa que os amigos paguem pelo que fez. Demonstrou um ato nobre. Eu gosto de gente que confessa. Um dia um advogado disse que eu gostava disso porque facilitava a minha vida de Promotora; que confissão era coisa do século passado. Até parece! Confissão não é nada disso. Confissão é encontro com sua própria verdade. Quem confessa é corajoso. Assume podre. E podre todos temos. Aliás, a confissão mostra na minha opinião que houve um pequeno "start", o início do "despertar" para um novo mundo. Então, dá pra dizer que mesmo com medão, estou aqui João, nesse mundão, onde vez ou outra acontece uma confissão! Mamãe tem esperança! Tem sim!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Madrugada do dia 04. Dia em que eu e seu pai estamos fazendo um ano de namoro. Ele está dormindo. Dá alguns sorrisos enquanto dorme. Me enterneço e o encho de beijos. Ele não percebe. Fica lá, perdido no plácido sono dele. E eu, ao lado dele, a imaginar o que povoa esse sono entrecortado por expressões alegres. Deve ser algo leve, meio que voando. Algo puro. Nada mais que isso. Peço agora a Deus que um pouco disso invada você, João.