domingo, 30 de dezembro de 2007
37ª semana. Os dias vêm quentes e têm brisa. Ontem, enquanto seu pai brincava, eu ficava na piscina sentindo o vento, deixando a água nos banhar. Ouvia música. Prestava atenção nas letras. Me deti na letra de uma música do Caetano Veloso que falava sobre tempo. Tempo, tempo, tempo... Observei a mata, tão cheirosa! Seu pai largou o brinquedinho dele - a espingardinha de chumbo - e veio até nós. Entrou na água e ficou abraçadinho com a gente. Tempo, tempo, tempo... Depois voltou, brincou ainda mais de atirar. Brincou muito!!! E eu brincava com o tempo. Olhava tudo acontencendo, passando. Pensava em quando você veio, na minha pequena grande história com seu pai, em tanta coisa que já fiz e vivi. Pensei no tempo que vai vir. E que vai vir com você. Tempo, tempo, tempo... Traz pra gente, então, o infinito!
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
Música cantada pela Tia Renata, uma borboleta que vive muito livre pelo mundo, em homenagem a você e a Manú, no sarau que rolou aqui na nossa casinha:
"Quem sabe isso quer dizer amor"
Milton Nascimento
Composição: Márcio Borges e Lô Borges
Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira
Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos de cais
Pequenos fragmentos de luz
Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
"Quem sabe isso quer dizer amor"
Milton Nascimento
Composição: Márcio Borges e Lô Borges
Cheguei a tempo de te ver acordar
Eu vim correndo à frente do sol
Abri a porta e antes de entrar
Revi a vida inteira
Pensei em tudo que é possível falar
Que sirva apenas para nós dois
Sinais de bem, desejos de cais
Pequenos fragmentos de luz
Falar da cor dos temporais
Do céu azul, das flores de abril
Pensar além do bem e do mal
Lembrar de coisas que ninguém viu
O mundo lá sempre a rodar
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
Pensei no tempo e era tempo demais
Você olhou sorrindo pra mim
Me acenou um beijo de paz
Virou minha cabeça
Eu simplesmente não consigo parar
Lá fora o dia já clareou
Mas se você quiser transformar
O ribeirão em braço de mar
Você vai ter que encontrar
Aonde nasce a fonte do ser
E perceber meu coração
Bater mais forte só por você
O mundo lá sempre a rodar,
E em cima dele tudo vale
Quem sabe isso quer dizer amor,
Estrada de fazer o sonho acontecer
sábado, 22 de dezembro de 2007
Está chegando, estou sentindo. Meu corpo dá sinal de que sua vinda, João, está próxima. Confesso pra você: sinto medo. Confesso: sinto pressão por um parto normal. Confesso: estou com medo do parto normal. Confesso, confesso, confesso: eu gostaria de ter um parto normal. Que ambivalência! Mas me pergunto: por que não ser ambivalente? Quem disse que eu preciso ter uma idéia certa e segura sobre tudo. Por que eu preciso propalar aos quatro cantos do mundo que a minha idéia sobre o meu parto é essa? Por que eu preciso mostrar segurança?
Não, não, não. Não preciso de nada disso.
Não posso me esquecer que a minha idéia sobre o parto é um pouco a minha idéia sobre mim mesma. Eu sou confusa, um dia penso X e no outro penso Y. No final, as concepções se misturam e podem virar uma só concepção, que somada a mais outra experiência vivida pode dar nascimento a uma nova concepção. E assim vou me tornando Mariana, porque a Mariana é um complexo de vida, que acontece toda hora. Por isso digo agora pra mim: Mariana, não se preocupe com o seu parto, não exija que você tenha concepções prontas sobre o que é melhor ou pior. Se quiser sentir medo, que sinta. Não se repreenda! Só sinta! Isso já faz parte dele. Já faz parte do que pra você será o seu parto! E confesse mesmo. Confesse tudo o que sinta. Seja ambivalente! Seja verdadeira!
Não, não, não. Não preciso de nada disso.
Não posso me esquecer que a minha idéia sobre o parto é um pouco a minha idéia sobre mim mesma. Eu sou confusa, um dia penso X e no outro penso Y. No final, as concepções se misturam e podem virar uma só concepção, que somada a mais outra experiência vivida pode dar nascimento a uma nova concepção. E assim vou me tornando Mariana, porque a Mariana é um complexo de vida, que acontece toda hora. Por isso digo agora pra mim: Mariana, não se preocupe com o seu parto, não exija que você tenha concepções prontas sobre o que é melhor ou pior. Se quiser sentir medo, que sinta. Não se repreenda! Só sinta! Isso já faz parte dele. Já faz parte do que pra você será o seu parto! E confesse mesmo. Confesse tudo o que sinta. Seja ambivalente! Seja verdadeira!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Estamos na 35ª semana. Você já está bem gordinho e na posição ideal pra nascer. Seu pai chega hoje. Sua médica volta das férias. Na quinta, aqui no nosso canto, acontece uma reunião com grandes amigas da mamãe, chamado "sarau". Na segunda, será o natal, uma festa em que se comemora o nascimento de Jesus. Pra mamãe natal é tempo de estar perto de todos que amamos, de reunir a família e os amigos, de mostrar a todos eles o quanto são importantes na nossa vida. Estamos na retinha final, no final do ano, perto de um ano novo. Estamos embalados por um momento de festas, de confraternizações, de encontros. Não tinha me deparado que você está pra chegar justamente num momento em que o amor, a caridade e a ternura estão mais livres, menos desavergonhados no coração das pessoas, meio que soltos, procurando um cantinho pra se aconchegar. E cá estamos nós, eu e você, misturados e podendo sentir tudo isso que está a nossa volta, que nos nutre e nos deixa mais preparados para o seu nascimento. Venha, então, meu pequeno JOÃO!
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Estamos aqui, eu e você! Só nós, acompanhados do som do ventilador e alguns outros ruídos. Os dias têm sido calmos. O sono está bom, vem rápido. Acho que estou desacelerando. E a atenção que nunca foi mesmo meu forte, agora tem espaço pra se diluir quando e onde quiser. Com o coração segue diferente. Cada vez mais forte e atento! Hoje, revi uma foto da vovó com sua bisavó. Eram três fotos seguidas, daquelas antigas, já amareladas. Elas se olhavam com um amor pouco palpável, mas tão real! E aí pensei: elas são mãe e filha. E daqui a pouco seremos nós nos olhando, com toda aquela ternura e amor, porque somos mãe e filho.
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