sábado, 22 de dezembro de 2007

Está chegando, estou sentindo. Meu corpo dá sinal de que sua vinda, João, está próxima. Confesso pra você: sinto medo. Confesso: sinto pressão por um parto normal. Confesso: estou com medo do parto normal. Confesso, confesso, confesso: eu gostaria de ter um parto normal. Que ambivalência! Mas me pergunto: por que não ser ambivalente? Quem disse que eu preciso ter uma idéia certa e segura sobre tudo. Por que eu preciso propalar aos quatro cantos do mundo que a minha idéia sobre o meu parto é essa? Por que eu preciso mostrar segurança?
Não, não, não. Não preciso de nada disso.
Não posso me esquecer que a minha idéia sobre o parto é um pouco a minha idéia sobre mim mesma. Eu sou confusa, um dia penso X e no outro penso Y. No final, as concepções se misturam e podem virar uma só concepção, que somada a mais outra experiência vivida pode dar nascimento a uma nova concepção. E assim vou me tornando Mariana, porque a Mariana é um complexo de vida, que acontece toda hora. Por isso digo agora pra mim: Mariana, não se preocupe com o seu parto, não exija que você tenha concepções prontas sobre o que é melhor ou pior. Se quiser sentir medo, que sinta. Não se repreenda! Só sinta! Isso já faz parte dele. Já faz parte do que pra você será o seu parto! E confesse mesmo. Confesse tudo o que sinta. Seja ambivalente! Seja verdadeira!

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