sábado, 24 de outubro de 2009
Retrato de uma simples tarde
Era uma sala muito engraçada. Ali havia um moço de algemas nos braços, que não se tinha certeza, mas uma impressão de que tinha feito algo ruim. Estavam na tal sala mais algumas outras pessoas. Sentavam-se umas três de forma desalinhada, uma num lugar mais alto que outra. A que ficava no lugar mais alto era um homem de capa preta. Ao lado direito dele havia um rapaz com uma máquina na frente, máquina essa que tilintava a cada toque das mãos. E do lado esquerdo, via-se uma moça que não parava de mexer numa pilha de papéis embrulhados num papel alaranjado. Perto do moço algemado, que estava sentado numa cadeira, estava um outro homem, que tinha uns papéis e anotava. Alguns estranhos andavam de um lado a outro dentro da sala, com armas nas mãos, a olhar para todas aquelas pessoas que pareciam tratar do moço algemado com tanta banalidade, que pareciam nem percebê-lo. Foi quando o tal homem de capa preta, deixou com que uma fileirinha de pequenos meninos e meninas entrassem pra beijar o moço com algemas. E aí a moça que só mexia nos tais papéis de capa alaranjada, como que saindo de seu mundo, olhou para aquelas crianças e chorou. Todos olharam pra moça e ela envergonhada de ter se misturado com o moço com algemas e com seus filhos, deixou a sala. Chorou mais um pouco em outra sala. Chorou muito na sala de uma moça bacana. A moça bacana e a moça dos papéis envoltos no papel alaranjado conversam quase todo dia. Elas conversam sobre um monte de gente que não conhecem. Não fazem fofoca não! Elas tentam se misturar a quem não conhecem. E não é pra fazer amizade não. Elas querem ajudar. Não sabem se ajudam. Depois sequer tem notícia se ajudaram. Mas ao menos aos se misturarem, acreditam ajudar. É por isso que as vezes choram.
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