terça-feira, 12 de outubro de 2010

Lá nos meus inacessíveis desejos da alma desejei um bebê pra nós, João. Desejei uma menina. E ainda confusa, aturdida com os estranhos desígnios da alma que não conhecessemos bem, anuncie o nome dessa menina. Chamei-a Dora. E numa noite qualquer sonhei com uma menina de cabelos cor de mel, pertinho de você, João. Uma menina entre mim e você, envolta nos suas sílabas ricas, em cigarras, abelhas e besouros vividos, na sua pele, que segundo você, hoje, acordou marron como a do lobo guará; na sua simples facilidade de estar entre todo tipo de criança. E hoje, dia 11 de outubro de 2010, sabemos que entre nós está Dora. Dora, minha filha, sua irmã. Dora, que como disse Tia Flávia, é dádiva de Deus. Dora, que também foi sua bisavó paterna. E assim podemos homenagear a doçura e a calma, que não conheci, mas consigo enxergar nas amareladas fotos, que ficam na estante da casa da sua avó Vânia. Dora, que vai ser afilhada de dois guerreiros nessa vida, Mirian, minha querida cunhada e amiga, e Luis Felipe, meu sobrinho e um pedaço enorme da minha alma. Dora, que se encontra comigo, nesse meu percurso intenso, onde o amor se mistura numa vida que só pode ser vivida se possível. E te digo, ainda é possível sonhar.

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