quinta-feira, 22 de abril de 2010

O tatu que voava

Você se embrulhou todinho na coberta para dormir. Com a cabeçinha de fora, parecia um pequeno tatu. O sono já quase tomava conta de você e era engraçado que de olhos quase fechados o sorriso era o que estampava seu rosto. E eu pra embalar o sono que chegava com tanta alegria começei a falar. Disse a você sobre um tatu que queria encostar o rabinho no céu e dava grandes impulsos com suas patinhas nas copas das árvores. Contei-lhe que ele voava tão alto, que quando olhava pra baixo chegava a ver um mar de folhas verdes. E quando eu dizia que o tatu gostava mesmo era de mergulhar na floresta e rir com os curiosos barulhos de insetos coloridos, você finalmente dormiu. Continuou embrulhadinho como um tatu. O seu sorriso foi aos poucos se desfazendo pra se entregar de vez ao sono.
Curiosas crianças que adormecem sorrindo.
Bendito João, que me leva da terra ao céu, do céu a terra, entre tatus e folhas verdes.

Um comentário:

Vô Leão disse...

Mari querida,
Toda vez que quero recarregar as baterias da minha alma, eu releio os seus textos do "acompanhante" e cada vez mais me emociono. Beijos do Washington