segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Entre amigas

Oi Jú querida! Amei seu email!
É engraçado como a maternidade deixa todas as mães solidárias. Parece que há uma vontade enorme de compartilhar experiências e principalmente de dar um ombro amigo às mães que se iniciam nesse novo caminho, tão belo, mas não menos difícil. Outro dia, depois de passar umas horinhas acordada com o João, escutei um choro de um bebê, vindo de um prédio vizinho. Eu, na hora, virei pro lado e disse pro Fábio: "vamos mandar uma energia positiva pra essa duplinha de mãe e filho que irá ficar de olhos abertos, longe dos sonhos."
Eita mundo cheio de encantos, mas complicado. Ao menos pra mim! Não vou ser hipócrita e dizer que lidei com tudo como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo. Sei que pra algumas mulheres é fácil e simples de fazer acontecer, mas pra mim não foi. Me senti assustada, desastrada e despreparada. Fábio queria que eu colocasse a mão na massa e eu não conseguia. Chorava aos quatro cantos da casa. Aos poucos a insegurança foi passando. Estabeleci que a palavra de ordem seria PACIÊNCIA, comigo e com o João. Afinal, somos iniciantes nesse mundo. Eu e ele! Ele aqui nessa terra maluca, cheio de gente ao redor, tagarelando e pegando nele como se fosse um bichinho de pelúcia. Isso depois de nove meses num mundinho só dele, calmo e sereno. Que loucura! Eu, de outro lado, de repente, com um bebê dentro de casa, comunicando-se apenas pelo choro e gemidos. Sem palavras entre nós. Logo comigo, que sempre amei a tal "palavra". E nesse meu novo mundo as palavras não se fizeram presentes. Fugiram. A comunicação ficou no gestual. Os livros ao meu redor não me preparam pra isso. As minhas teorias sobre como agir não me deram noção do que realmente fazer. A gravidez no meu caso não me alertou. Foi apenas um pequeno, um mínimo pedaço do processo de transformação MARIANA-FILHA para MARIANA-MÃE. Por isso acho que sofri um pouco. Resolvi, então, não esperar a licença-maternidade e voltei logo pra análise; só meia horinha por semana. Percebi que não podia deixar esse mexilhão de sentimentos que é ser MÃE passar incólume na minha vida, entre fraldas, leite e outras cositas mais. Há muito mais nisso pra ser explorado, muito mais.
Minha mãe e algumas outras pessoas não me entederam muito e vez ou outra não entendem. Acham que questiono muito e talvez por isso sofra mais e faça dos acontecimentos na minha vida algo mais complexo do que deveria. Mas essa sou eu, essa é a mãe que o JOÃO vai ter. E pra ele ser feliz, precisa de uma mãe inteira, que se conheça bem, que se permita ser quem é, questionadora, dramática, intensa, brava, meio louca.
E assim te digo que o balanço do primeiro mês de vida dele é o seguinte: sinto a vida mais em detalhes. É como se o tempo estivesse mais lento pra mim. O fato de passar muito tempo dentro de casa, junto dele, que evolui de uma forma bem sútil, me faz olhar o mundo assim também. Reparo em detalhes nas ruas que antes não via. Dou muito valor a uma simples conversa com uma amiga. Olho Fábio com outros olhos e um vinho com ele tem um sabor todo especial. O amor que o João me trouxe, aumentou o meu amor pela vida, pelos detalhes que ela me oferece.
Claro que tem a parte dura, o pouco sono, o choro que eu não interpreto, a fralda que vaza toda noite. Mas nada melhor do que vê-lo crescer, perdendo as roupinhas, ficando de olhos mais abertos. Fico curiosa demais pra saber quem é João, como ele vai ser. Mais uma vez tenho que ter PACIÊNCIA. É tempo de esperar o tempo passar...
Muitos e muitos beijos, cheios de amor, pra você, Henrique querido e Maria.
PS: depois se quiser dá uma olhadinha no blog que fiz pro João, desde a gravidez. Aliás, este email vai pra lá, porque acabou sendo um grande desabafo.

Nenhum comentário: