Eu que amo tanto poesia, que as leio algumas vezes noite e dia, não consegui fazer dela o seu dia a dia, João. Já seu pai, que nela não enxerga lá muita alegria, conseguiu fazer dela seu dia a dia. Te levou a passear e procurou te ensinar certos cheiros e cores da natureza. No seu rosto encostou uma plantinha. Pôs-se a explicar: "Experimenta na sua pela a maciez dessa flor!" Deu-te a flor as mãos. Já em casa, com você ao colo, entrou no quarto e me acordou: "Bom dia, trouxemos pra você essa florzinha!"
Pra mim, mais que a florzinha, ganhei poesia de quem diz que não gosta de poesia, mas que é pura poesia. De nada adianta assim ser tão letrado. De tudo adianta assim ser tão delicado.
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