Filhote,
veio à idéia falar sobre família, sobre a sua família. Você tem uma pequena família, eu e seu pai. Tem também uma grande família, seus avós e tios paternos; seus avós, tios e um sobrinho maternos. Aventuro-me a falar da sua grande família por parte de mãe, a família Távora. Será mais fácil falar dela porque estamos juntos há muitos anos. Você vai notar que vou me ater às qualidades e não aos defeitos e talvez pense que por isso eu esteja burilando nossa família, pra dizer que ela é boa demais. Mas não é bem por aí. É que com os anos de análise vamos percebendo que o defeito do outro, que eu defino como aquilo que incomoda muito, na verdade é uma leitura subjetiva e particular feita da realidade. Por isto acaba sendo uma impressão e não uma pura realidade. E assim fui vendo ao longo da minha análise que um defeito pode não ser defeito, e que desconstruindo a leitura da tal "realidade" as relações se tornam muito mais fáceis e compreensivas. Mas ainda não cheguei lá. Ainda tem muita coisas na nossa grande família que me incomoda. O que acontece é que hoje gosto de me ater mais às qualidades, o que farei aqui.
Pois bem, começo pelo seu avô Maurílio. O que falar dele? Quando ele me vem à cabeça, penso em arte. Seu avô foi quem me tornou acessível o mundo das letras. Sempre me presenteou com livros. Agora mesmo mamãe está lendo um livro que ele me deu. Vovô também sempre me contou sobre pintura. Me dizia que era importante ir a museus e que viajar iria mudar minha idéia sobre o mundo. E mamãe gosta de fazer um pouco de tudo isso. Ler, ir a Museus e viajar, de sorte que mamãe é muito do Vovô.
Vovó Norma. Quando penso nela me vem lágrimas nos olhos. Imagine uma pessoa disponível. Ela nunca vai dizer não. Ela vai sempre te ajudar. Sempre! Ela parece brava, mas é mansa. Sabe ser calma quando mais é preciso. E anda envelhecendo com muita dignidade, se tornando melhor, cada dia melhor e isso é raro.
Tia Flávia. Minha primeira noção de amizade. Nascemos muito perto uma da outra. Ela é mais nova, mas sempre cuidou de mim. Sempre, desde pequena. Acho que vai cuidar de você melhor que eu. Ela tem ternura nos olhos e bondade de sobra. Por isso ela sabe cuidar tão bem. Aliás, cuida de todos. E acho que por cuidar tanto, acaba se esquecendo de cuidar dela. Acontece assim com os muitos caridosos.
Tio Bê. Alegria pura. Não reclama de quase nada. Ele adora criança. E toda criança o adora. E é lógico você vai adorá-lo, porque não tem nada melhor que gente que fala a língua dos anjos, como o Tio Bê.
E o Tio Bruno. Tio Bruno gosta de música. Gosta de escrever. É sensível. Tem alma de artista e por isso é menos mundano.
Luis Felipe, seu primo, filho da Tia Flávia e do Tio Evandro. Um menino especial. Pra mim, é a exata medida do amor. Seus olhos curiosos enlevam-se diante do que não é usual, o que o torna único e raro. Temos uma linda conexão, sendo unidos para além dos laços de sangue, por uma compreensão de mundo que é só nossa.
Essa é sua grande família materna.
Outro dia, com a ajuda do papai, te falo sobre seu avós e tios por parte de pai.
Bjs e boa noite!
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