Quando o João era bem pequeno e acordava regularmente a noite pra mamar, eu sempre me compadecia com os choros de bebês que escutava na madrugada. Sempre rezava e pedia que a mãe tivesse calma nessas adiantadas horas da noite, onde há uma mistura estranha de cansaço, desânimo e muito amor. Meu filho ainda não dorme toda a noite apesar dos seus quase 16 meses de vida e essa última noite dormiu menos do que todas as outras. Não tomem o relato ao pé da letra, porque talvez toda última noite mal dormida seja sempre a pior. Mas fato é que ele chorou muito, muito mesmo. O dia também não foi bom e lá pelas sete da noite recebo uma ligação do interfone, de uma vizinha, mãe do Lucas, de seis meses. Ela perguntou: posso dar um pulinho aí, pra dar algo para o João? Eu disse: sem problemas. E ela aparece com um CD, embrulhadinho num papel de bolinhas coloridas. Disse que ouviu o João chorando muito a noite e ficou preocupada com ele. Eu disse que o João estava com uma virose dolorosa, que o deixou com feridinhas na boca. Perguntei do Lucas e ela me falou que ela já estava há três noites sem dormir por conta de uma gripe forte, que não o deixava respirar direito. Nos despedimos e pronto. Fiquei a observar aquela menina entrar no elevador, de olhar cansado, mas terno. Quando fui ouvir o CD, com o João no colo, o que veio ao ouvido foram cantigas de ninar. O som era calmo e deixou o João sereno, como há algumas horas eu já não o via. Eu chorei e ainda choro agora escrevendo esse email, muito agradecida pela generosidade dessa mãe, que no amor ao seu filho foi solidária com uma vizinha que mal conhece. Talvez seja essa uma das maiores virtudes da maternidade: o amor genereso.
"eu também choro mari, por entender, mesmo que desde apenas a bolha da minha experiência pessoal, cada palavrinha que vai nesse seu relato. que bom que essa mãe conseguiu sair só da intenção - a gente na maioria das vezes fica só na intenção (de agradecer, de ajudar, de elogiar, de dizer - o que, acho, deixa um baita de uma energia paralisada e que, se bobear, vai explodir depois em coisas ruins). há tempos estou pra pedir pro síndico aqui do meu bloco autorização pra colocar um bilhete no quadro de avisos da outra portaria só pra agradecer a pessoa desconhecida que toca piano todos os dias por volta das 11 horas da manhã. inúmeras vezes eu estou com a manú no quarto, rezando pra ela conseguir dormir antes de ir pra escola e vem esse som maravilhoso lá de fora, me acalmando, acalmando ela. depois te ligo pra saber do nosso super john. quero cópia desse CD." Bia
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Um comentário:
saudades Mari! Vc sumiu demais!!!! Morro de emoção lendo seu blog...
bj
Thá from BH
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